terça-feira, 16 de abril de 2013

Adubar... organicamente!


ADUBO: fertilizante cuja função principal é fornecer à planta um ou mais nutrientes. Dentro dos adubos podemos ter: um adubo mineral ou adubo químico, ou seja, o adubo de origem mineral ou obtido industrialmente por processos físicos e/ou químicos; um adubo orgânico: adubo cujos nutrientes são, na sua totalidade, de origem vegetal e/ou animal.


adubação/fertilização ecológica tem como base o facto de devermos alimentar os seres vivos que se encontram no solo (particularmente os microrganismos), assentando-se nos seguintes princípios segundo Claude Aubert: - A matéria orgânica fresca não se deve incorporar em profundidade no solo (pois a sua decomposição consome azoto dos solos); - O solo não deverá nunca ficar a descoberto (para evitarmos a sua esterilização); - Os adubos orgânicos devem ter a maior variedade possível e não devem ser excessivos; - As adubações minerais são, simplesmente, um complemento das orgânicas. 

Hoje em dia, mesmo por pessoas próximas, continuamos a ouvir expressões do tipo: 
“Não há nada como o adubo (químico), aquece a terra e as plantas crescem mais rápido e melhor!” 

Mas será que o facto de termos uma maior produtividade e produtos de maior tamanho compensa?
Não é fácil mudar ideias e hábitos muito enraizados, principalmente quando as pessoas não conseguem ver as consequências no imediato. Mas já não há dúvidas sobre os perigos da utilização de adubos químicos: 
Em traços gerais, as plantas absorvem muito rapidamente uma parte dos nutrientes o que leva a uma expansão celular e, consequentemente, a uma maior vulnerabilidade às pragas e doenças (tornando-se um convite à utilização dos pesticidas!);
20-03-2012
20-03-2012
Como as plantas não conseguem utilizar todos os nutrientes, estes dissolvem-se com a chuva e as regas, contribuindo para a poluição das águas;
A qualidade dos alimentos é reduzida e os adubos influenciam a acumulação de nitratos nos legumes (que depois se transformam em nitritos prejudiciais para a nossa saúde);
Existem mesmo adubos que não melhoram a qualidade do solo, prejudicando os microorganismos existentes e úteis ao seu equilíbrio.

Então, a solução será optar por fertilizantes/adubos orgânicos (estrumes, chorumes, compostos…). Eis alguns "fertilizantes que podem ser utilizados no modo de produção biológico:
Produtos de origem mineral
· Fosfato natural macio.
· Sais brutos de potássio (silvinite, silvite e cainite)
· Sulfato de potássio, eventualmente com sais de magnésio.
· Carbonato de cálcio de origem natural
· Carbonatos de cálcio e de magnésio de origem natural (calcário dolomítico).
· Cal industrial resultante da produção de açúcar.
· Sulfato de magnésio de origem natural.
· Sulfato de cálcio (gesso) de origem natural.
· Enxofre elementar.
· Micronutrientes (boro, cobalto, ferro, manganês, molibdénio e zinco)
· Cloreto se sódio.
· Pó de rocha (basalto, granito, bentonite, etc.)
· Argila (perlite, vermiculite, etc.)
Produtos de origem vegetal
· Turfa para preparação de substratos.
· Farinha de bagaço de oleaginosas, casca de cacau, casca de café, radículas de malte do fabrico de cerveja.
· Algas e produtos de algas obtidos por desidratação, congelação, trituração, extração ou fermentação.
08-09-2012
· Cinzas, serradura e aparas de madeira sem tratamento químico após o abate.
· Vinhaça e extratos de vinhaça com exceção das vinhaças amoniacais. A vinhaça é um subproduto da destilação do álcool a partir do melaço de beterraba ou de cana-de-açúcar.
Produtos de origem animal
· Urina após digestão ou diluída.
· Excrementos de aves-marinhas (guanos).
· Lã, carnaz (peles), productos lácteos, farinha de peixe.
Produtos de origem vegetal e animal
· Estrumes de dejetos animais e detritos vegetais resultantes das camas dos animais.
· Compostos resultantes da mistura de dejetos ou efluentes animais com resíduos de origem vegetal.
·  Vermicomposto.
·  Resíduos domésticos separados criteriosamente na origem e compostados."
in Manual de Horticultura no Modo de Produção Biológico

As plantas precisam de nutrientes minerais específicos e essenciais para viverem e se 
desenvolverem adequadamente. Estes podem ser:
16-08-2012
- Macronutrientes, ou seja, todos os elementos que as plantas necessitam em maiores quantidades (ainda que variável entre diferentes culturas), e mesmo quando presentes em excesso, não lhes causam intoxicação: azoto ( N ), fósforo ( P ), potássio ( K ), cálcio ( Ca ), magnésio ( Mg ) e enxofre ( S ).
- Micronutrientes, ou seja, elementos absorvidos em menor grau, mas igualmente necessários: Ferro ( Fe ), zinco ( Zn ), manganês ( Mn ), boro ( B ), cobre ( Cu ), molibdénio ( Mo ) e cloro ( Cl ).
- No caso dos elementos minerais absorvidos pelas plantas que podem beneficiar o crescimento, tais como o sódio (Na), o silício (Si), o cobalto (Co), o alumínio (Al) e o níquel (Ni) não são essenciais, sendo só considerados como elementos benéficos.

É difícil sabermos a quantidade exata de fertilizante a aplicar às plantas, pois isso depende da variedade, da sua localização, do tipo de fertilizante e do método de aplicação. Por exemplo, nas árvores a maior exigência de fertilizantes verifica-se no 
começo do período vegetativo, isto é, imediatamente antes do desenvolvimento dos rebentos foliares. 
Há alguns sintomas visuais que podemos associar a deficiências de nutrientes. No entanto, estes podem variar de cultura para cultura e, por vezes, confundem-se com sintomas de doenças, pragas ou geadas, particularmente quando a deficiência se refere a um micronutriente. De forma geral e resumida aqui fica uma tabela com os nutrientes, a utilidade/necessidade para a planta e alguns sintomas visuais quando existe carência dos mesmos.

Nutriente
Utilidade para a planta:
Carências - sintomas visuais:

N
Azoto
Tem ação na parte verde da planta, estimulando o seu crescimento e brotações. É responsável pelo vigor da planta e pela abundância de folhas verdes e viçosas. É um dos principais componentes das proteínas vegetais, sem ele as plantas não podem realizar a fotossíntese nem a respiração, logo a planta não cresce.
Falta de vigor e crescimento reduzido.
Clorose das folhas mais velhas folhas, ou seja, estas não produzem clorofila suficiente e ficam com uma cor mais clara (progressivamente de verde pálido a amarelo, incluindo as nervuras das folhas).

P
Fósforo
Estimula a floração e ajuda na maturação e formação de frutos. Atua no desenvolvimento das raízes e na multiplicação das células.
Crescimento limitado. Atraso e redução no florescimento, levando a um pequeno número de frutos. Observa-se uma coloração violácea das folhas mais velhas que acabam por secar e cair.

K
Potássio
Dá maior vigor e maior resistência às doenças. Reduz a perda de água nos períodos secos, aumentando a resistência à seca. Ajuda na produção de açúcares (tamanho e qualidade dos frutos).
Crescimento lento. Caules fracos e flexíveis e raízes pouco desenvolvidas. Manchas acastanhadas nas folhas que evoluem para necroses. Enrolamento das margens das folhas.
Ca
Cálcio
Faz parte da parede celular das plantas. Permite o transporte e retenção de outros elementos no interior da planta e ajuda a fortificá-la. Desempenha um papel importante no desenvolvimento dos frutos, raízes e caules. Deste elemento depende o vingar os frutos jovens.
É menos frequente e, por vezes, difícil de distinguir a carência de cálcio. 
Observemos frutos deformados e manchados. Deformações e necroses das folhas jovens e das extremidades dos rebentos. Crescimento radicular reduzido. Manchas esbranquiçadas nas folhas.
Mg
Magnésio
É a principal componente da molécula de clorofila. É responsável pela captação da energia solar para a formação de açúcares a partir do dióxido de carbono e da água (fotossíntese).
Uma das causas mais frequentes da carência de magnésio é o excesso de potássio no solo. As folhas mais velhas ficam sem coloração, apesar das nervuras permanecerem verdes.

S
Enxofre
Participa ativamente da fotossíntese. Estimula a formação de sementes e favorece o crescimento vigoroso das plantas.
A deficiência de enxofre é pouco frequente. Muito semelhante à carência de azoto. Clorose nas folhas, mesmo nas mais jovens, levando à sua queda com muita facilidade. Diminuição no volume de flores e na produção de frutos.
Fe
Ferro
É um componente importante na formação da clorofila. Pode tornar-se limitante em solos ácidos (devido ao excesso de manganês que impede a sua entrada na planta) ou quando se faz a calagem excessiva.
Ocorrem cloroses entre nervuras nas folhas jovens - clorose férrica.
Zn
Zinco
É necessário para a produção de clorofila e é indispensável para o crescimento celular das plantas.
As folhas novas não se desenvolvam corretamente.

Mn
Manganês
Acelera a germinação e a maturação. Atua na formação da clorofila e participa da fotossíntese.
Pode haver uma mudança de coloração entre as nervuras das folhas. Podem ser visíveis pontos amarelos e/ou buracos nas folhas.
B
Boro
Ajuda na regulação dos outros nutrientes. Atua na formação dos frutos.
As folhas novas tornam-se deformadas e caem. Os frutos tornam-se feios e deformados. As raízes escurecem e podem morrer.
Cu
Cobre
É importante na resistência às doenças e faz parte dos fenômenos de respiração. Também atua na formação da clorofila. É importante no desenvolvimento das estruturas reprodutivas.
As necessidades de cobre são muito baixas e qualquer excesso pode causar toxicidade à planta, induzindo deficiências de outros nutrientes, tais como o ferro e provocando a paragem do crescimento radicular.
Mo
Molibdênio
É necessário para a fixação do azoto pela planta.
A deficiência pode assemelhar-se a carência de azoto, devido às cloroses que surgem nas folhas mais velhas, com as margens enroladas.
CI
Cloro
Atua nas reações hídricas da planta.
Normalmente presente nos solos,logo costuma ser desnecessário na adubação.
 As folhas jovens ficam cloróticas passando a uma cor bronze.

8 comentários:

  1. Boa tarde, quando vou plantar sempre coloco húmus ou esterco de cavalo com serragem, depois de algum tempo tenho que por mais, como fazer? obs : tenho bromelias, suculentas ,orquideas e cactus.

    ResponderEliminar
  2. Viva!
    Há vários fatores que devemos ter em conta quando queremos adubar as nossas plantas: o facto de estarem na terra ou em vasos e as diferentes necessidades de cada planta tanto no que diz respeito aos nutrientes como às suas quantidades... No entanto, penso que para as plantas ornamentais, o essencial é fazermos uma adubação orgânica frequente (adicionar mais composto, estrume ou um granulado orgânico, por exemplo), envolvendo e misturando bem o adubo com a terra.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  3. Só um adendo, em relação a perlite(a) e vermiculite não sei se seria valido classificar como adubo, eles não tem (pelo menos não deveriam) conter nutrientes, eles são usados em substratos pela capacidade de armazenar agua e por aerar o solo para permitir o fluxo de oxigenio e evitar compactação.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro anónimo,
      Agradeço, desde já, a sua observação, pois é a oportunidade de enriquecermos a informação apresentada!
      A informação sobre os fertilizantes que podem ser utilizados no modo de produção biológico foi retirada do manual referido. Assim, penso que quando se mencionou a perlite e a vermiculite como fertilizantes foi com base no facto de serem minerais capazes de favorecer a obtenção de nutrientes por parte das plantas.

      Um abraço e seja sempre bem-vindo,
      http://faroleco.blogspot.pt/

      Eliminar
  4. Entendo, na verdade foi só pra ser "tecnicamente" correto mesmo.

    No entanto eu tenho de advertir sobre o uso da vermiculite, não só tem durabilidade menor que a perlite, estudos recentes indicam que a exposição a ela pode causar problemas no pulmão e até mesmo cancer devido ao amianto que pode ser encontrado nele.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Todos os comentários são preciosos (mais uma vez agradecemos), pois quanto mais completa for a informação a que temos acesso mais corretas são as nossas opções!

      Um abraço,
      http://faroleco.blogspot.pt/

      Eliminar
  5. Mano minha mae herdou de minha vó um terreno onde tem hortas, dá uns 20 metros por 20. E eu li que no Brasil há falta de magnesio no solo, como eu o adiciono de forma barata e organica? eu pensei em por cloreto(ou algo do tipo) de magnesio diluido em agua(aqueles q vende em farmacia), e depois por na terra. ou pegar alguma argila q o contenha, diluir em agua e aplicar na terra. O que tu me recomenda? muitooooo obg

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá.
      Não lhe conseguimos dar uma informação tão específica.
      Deve fazer primeiro uma análise ao seu solo.
      Um abraço

      Eliminar

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...