segunda-feira, 2 de julho de 2012

Urtiga


Nomes científicos: Urtica dioica 
21-03-2012
Nomes comuns: Urtiga, Ortiga, Urtiga-comum, Urtiga-maior
Família: Urticaceae
Origem: Europa e Ásia

A urtiga é uma planta vivaz e herbácea com folhas e caules cheios de pelos urticantes que produzem uma sensação de ardor quando tocam a pele dos seres humanos e outros animais.
Esta planta é considerada, por muitos, uma erva daninha pois invade os terrenos cultivados, no entanto possui uma longa história como medicamento e como fonte de alimento.

21-03-2012
Cultivo: É uma planta espontânea em Portugal. Desenvolve-se em terrenos baldios, terras cultivadas, à beira de rios e em solos húmidos com matéria orgânica pouco decomposta (estrume). Multiplica-se por sementes ou pela divisão da planta.

Propriedades e utilizações
Culinária: Os seus brotos e folhas tenras podem comer-se crus, misturados nas saladas (esmagados previamente). Podem ser cozidos, permitindo preparações culinárias semelhantes aos espinafres ou nabiças, com a vantagem de serem mais ricas em vitaminas e sais minerais. Por exemplo, faz-se uma excelente sopa e esparregado.
Propriedades Medicinais: A urtiga possui várias propriedades medicinais. Por exemplo, a infusão da planta (cerca de 50grs de folhas secas ou 100grs de folhas verdes) pode ser usada como adstringente, depurativa e antirreumática. As folhas usam-se, ainda, em cataplasmas sobre os eczemas e outros problemas da pele.
Horta: A urtiga ativa o crescimento de outras plantas, tornando-as mais resistentes às doenças que as atacam. As suas hastes e folhas podem ser usadas para a elaboração de um chorume. Este possui uma ação inseticida, por exemplo contra ácaros e pulgões ou pode ser usado como dinamizador do solo, estimulando a sua flora microbiana. É, ainda, um excelente adubo foliar ou fertilizante líquido rico em azoto que pode ser usado diretamente no solo ou no composto.

31-12-2013
O chorume de urtigas é obtido através da fermentação das mesmas. Colhe-se 1kg de urtigas, sem raízes (ao que parece anulam a fermentação) e antes da floração (consta que é o ponto máximo dos seus princípios ativos), que se mergulham em 10 litros de água, de preferência da chuva, num recipiente de madeira, vidro ou plástico e nunca de metal. Dois dias depois, a cada litro do preparado e após ter sido filtrado juntam-se 9 litros de água. Ficamos, assim, com 10 litros para regar ou pulverizar as plantas. Devemos ter em atenção que o chorume necessita, no mínimo, de 24 horas para desenvolver as propriedades inseticidas. Normalmente, quatro dias depois (quando o odor desagradável se manifesta) a fermentação está concluída e acrescenta-se ao tratamento inseticida a capacidade de ativar o solo. Após estes quatro dias, a preparação vai alterando-se e estragando-se, logo devemos fabricar o chorume à medida das necessidades.
Utiliza-se, normalmente, a proporção de 1kg de planta fresca por 10 litros de água, contudo podemos fazer com 200-250 gramas em 10 litros, pois o preparado mantém propriedades apesar de não ficar tão concentrado. Se usarmos a planta seca a quantidade usada baixará para cerca de metade. Para secar urtigas, devemos apanhá-las antes do início da floração e deixá-las a secar à sombra durante cerca de três semanas.

31-12-2013
Curiosidades: As urtigas fazem parte de uma grande família que compreende um número elevado de membros; O nome urtiga deriva do latim urere (= arder), sendo esta uma designação genérica para várias plantas que apresentam um mecanismo de ação semelhante; Não devemos confundir a urtiga-comum (urtica dioica) com a chamada urtiga-branca (Lamium album), pois apesar de possuírem propriedades em comum são plantas diferentes. A última não possui características urticantes e pertence à família Lamiaceae; A urtiga-menor (Urtica urens) é da mesma família que a urtiga-comum e as propriedades são praticamente as mesmas, diferenciam-se pelo fato da primeira ser uma planta anual; Antigamente aplicavam-se as fibras de urtiga no fabrico de vestuário e, mais tarde, no de papel; Em Trás-os-Montes costumava-se cozer as urtigas que depois eram misturadas com farelos e dadas como alimento aos perus recém-nascidos para os tornar mais resistentes.

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